terça-feira, 11 de agosto de 2009

Técnicas Teatrais - 3º Parte

Avaliação: 
DIREÇÃO TEATRAL & ELEMENTOS GERAIS

O diretor teatral espírita deve sempre estudar as obras kardequianas e estar vinculado a atividades doutrinárias na casa espírita, para que possa ser fiel aos princípios doutrinários em suas aplicações teatrais. Deve também se aprofundar no conhecimento das teorias e técnicas teatrais, a fim de que possa dominar a arte a qual se dedica.

Deve ser aplicado e amigo daqueles que, espontaneamente, aceitam a sua direção. Enfim, deve ter no Evangelho o roteiro seguro para a realização dos seus trabalhos.

No que diz respeito à orientação cênica, o diretor deve atentar para três fatores básicos :

1º) Possibilidade Dramáticas: Observar no trabalho do ator todas as possibilidades dramáticas possíveis, transmitindo-lhe noções em geral que norteiem a cena e os caminhos dramáticos que a façam ganhar vida e grandeza.

2º) Possibilidade Cênicas : Observar na cena tudo aquilo que pode ser acrescentado, a fim de que obtenha mais realidade e dinamismo: arrumação da fotografia cênica, luz, sonoplastia, vestuário, adereços, etc. Nunca deve se esquecer de que nada deve ser colocado em cena sem objetivo. Tudo o que nela se usa deve estar a ela relacionado.

3º) Possibilidade Técnicas : Corrigir no ator tudo aquilo que esteja dificultando o seu bom desempenho cênico, bem como incentivar nele o uso de recursos que o ajudem em seu trabalho: a máscara facial, a voz, a expressão corporal, a marcação, o uso adequado da língua portuguesa. Enfim, tudo deve ser observado pelo diretor, que deve sempre visar à melhoria das cenas.
O ATOR

O ator é, sem dúvida, o elemento fundamental do teatro. Através de seu trabalho as platéias sentem-se envolvidas pelas mais incríveis emoções. Todo o espetáculo teatral gira em torno do ator, que é a "imagem e semelhança" do público. Isso quer dizer que é através dele que o público vê sua própria história e se identifica, porque o teatro é capaz de retratar a própria história da humanidade. O ator espírita deve estar consciente da sua nobre tarefa de seguir Jesus e divulgar seus ensinamentos. Ao contrário do ator comum, ele não deve buscar a evidência pessoal e sim anular-se para que a mensagem cristã-espírita apareça soberana, tocando os corações para a reforma do bem, através do seu trabalho de amor.

O ator espírita deve ser um membro atuante na casa espírita, participando de suas atividades doutrinárias e assistenciais, pois o teatro é apenas mais um meio de divulgação da doutrina. O ator deve se lembrar de que, antes de ser um ator, é um espírito-espírita, e que deve trabalhar em todas as atividades possíveis para a divulgação do espiritismo.

Somente estudando e participando das atividades doutrinárias poderá adquirir o alicerce necessário no desempenho de sua tarefa no teatro-espírita.

Além de estudar o espiritismo, deve estudar também as teorias teatrais, para que possa realmente fazer da arte "O belo criando o bom".

A GÊNESE DO PERSONAGEM

Exemplo de uma Gênese da Peça : Os Justos

Com o intuito de desempenhar bem o seu papel na cena, é fundamental que o ator conheça o "perfil psicológico" do seu personagem, o que nem sempre está completo e explícito no texto teatral. Por isso é importante que ele crie a "gênese" de seu personagem. Isso significa tentar resumir por escrito sua vida, desde o momento em que nasceu até o instante em que entra em cena. Esse resumo deve procurar sempre manter a coerência com o texto e com os outros personagens, todos vinculados, de alguma maneira, à trama que o texto oferece.

A "Gênese" dará ao ator condições de conhecer melhor o seu personagem, o que beneficiará a sua atuação. Deve ser escrita na primeira pessoa.
A "Gênese" deverá ser entregue ao diretor do espetáculo, ficando uma cópia com o próprio ator. Deverão também receber cópias os atores que têm personagens vinculados diretamente ao personagem de cada Gênese.

SONOPLASTIA

A sonoplastia é de suma importância na atividade teatral. O sonoplasta espírita, em primeiro lugar, deve seguir todas as recomendações gerais dadas acima ao espírito-espírita. Além disso, o estudo de técnicas, teorias teatrais e principalmente música é fundamental. Quanto às suas tarefas específicas, é necessário que o sonoplasta possua um repertório musical minimamente diversificado, para que possa fazer de sua atividade um instrumento de ampliação do sentimento da cena.

Lembrando-se sempre de que as músicas e sons utilizados devem estar intimamente ligados ao que acontece na cena, o sonoplasta deve acompanhar o texto passo a passo e estudá-lo também, a fim de desempenhar cada vez mais satisfatoriamente sua tarefa.

ILUMINAÇÃO

A iluminação é muito importante para o teatro. Através dela conseguimos ambientalizar a cena e ampliar as emoções nela exploradas.

O iluminador deve dominar técnicas teatrais de luz e, acima de tudo, ter conhecimentos práticos de eletricidade, para que possa desempenhar sua tarefa com qualidade e segurança.

Para o desempenho satisfatório de suas atividades, é fundamental também que o iluminador conheça bem o texto e as marcações cênicas determinadas pelo diretor do espetáculo.

Todas as equipes envolvidas numa peça teatral devem estar entrosadas, porque o sucesso do trabalho dependerá do funcionamento harmonioso das engrenagens da peça.


FIGURINOS E ACESSÓRIOS

Os figurinos e acessórios utilizados em cena devem ser sempre coerentes com a época em que acontece a ação ou com o simbolismo que o diretor queira dar a ela.

Na abordagem espírita devem ser explorados recursos diferenciados para a caracterização de espíritos desencarnados e encarnados. O vestuário deve tentar deixar claro também o grau de evolução dos desencarnados, para que não haja confusão por parte do público.



CENÁRIO

O teatro espírita geralmente é realizado na casa espírita, onde os recursos cênicos nem sempre são favoráveis. Por isso, os cenários devem ser leves e de fácil manuseio. É também aconselhável, no caso de mudanças constantes de ambientes na peça, o uso de cenários "abstratos". Neles, um mesmo objeto é usado com várias finalidades.

Ex : Uma cadeira pode numa cena servir como sofá; em outra, como cadeira de fato.

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