quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

As mães de Chico Xavier abre o Festival de Cinema Transcendental em março

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A onda de filmes espíritas que arrebanhou mais de 7,5 milhões de espectadores em 2010 não terminou com a virada de ano. Em 1º de abril, chega aos cinemas As mães de Chico Xavier, longa-metragem de ficção de Glauber Filho e Halder Gomes inspirado em cartas psicografadas pelo médium e no livro As vidas de Chico Xavier, de Marcel Souto Maior. Assinada pela Estação Luz Filmes, segmento audiovisual da Associação Estação da Luz (sediada em Eusébio, Ceará) e coprodutora de Chico Xavier (de Daniel Filho), a novidade vai dar as caras no Cine Brasília antes da estreia oficial, como atração de abertura da primeira edição do Festival de Cinema Transcendental, em 24 de março. A mostra segue na cidade até 27 de março e vai para Fortaleza logo depois, entre os dias 28 a 31.

No filme, três mulheres de diferentes idades encontram consolo e esperança graças à generosidade de Chico, vivido novamente por Nelson Xavier (protagonista do título de Daniel Filho). Ruth (Via Negromonte, esposa de Nelson, que também participou da cinebiografia) é atormentada pelo sofrimento do filho, viciado em drogas. Elisa (Vanessa Gerbelli) é uma mulher enlutada que não consegue superar a perda. E Lara (Tainá Muller) reluta em aceitar um filho não planejado. O elenco de coadjuvantes traz Caio Blat, no papel do jornalista Karl, que investiga os dons do médium; Herson Capri, intérprete de Mário, marido de Ruth; e Neuza Borges, na pele da governanta da casa de Elisa.

Caio Blat interpreta o jornalista Karl, que investiga o dom de Xavier (Cut Out/Divulgação )

Caio Blat interpreta o jornalista Karl, que investiga o dom de Xavier

Para Sidney Girão, produtor-executivo, a película é mais uma homenagem ao líder espiritual que completaria 100 anos em 2 de abril de 2010, mas revela histórias diferentes das contadas no filme de Daniel Filho (em exibição na TV Globo, no formato de minissérie) e em Nosso Lar, de Wagner de Assis. “Não tem nada de continuação. Mães fala de outra ação que o Chico realizou em vida, que eu diria que se iguala ao propósito de vida dele: dar conforto espiritual. Ele deu conforto através das cartas psicografadas a famílias que não tinham mais vontade de viver. Acho que vai atingir outros sentimentos no público que viu os outros filmes, vai conquistar pelo lado emotivo”, diz. Girão também destaca os números expressivos de outro produto da Estação da Luz, codirigido por Glauber Filho e Joe Pimentel. Bezerra de Menezes — O diário de um espírito (2008), sobre a vida do líder espírita do século 19 (encarnado por Carlos Vereza), vendeu mais de 500 mil ingressos.

Otimismo
Segundo Glauber, Mães é democrático e pode atrair um público que não tem envolvimento com doutrinas espíritas. “Os outros três filmes revelaram um público base, que tem fidelidade pelo tema. A gente sabe dessa base e que há um público que não está ligado diretamente à religião, mas está ligada ao espiritualismo. No caso deste filme, não há uma adaptação, mas uma inspiração no livro As vidas de Chico Xavier e em cartas. Não procuramos reconstruir a história de cada carta. Mergulhamos mais na ficção. Elas foram o dispositivo para criarmos histórias”, explica o cineasta.

Via Negromonte, que integra o elenco de mais uma produção sobre Chico Xavier, acredita que o novo filme deve repetir o sucesso de seus antecessores. “O mercado enveredou nessa vertente. Não sei se isso leva o público à exaustão ou se o excita. Mas acho que Mães vai ter um apelo maior, porque muitas mulheres já passaram por isso e recorreram ao mesmo recurso para conseguir conforto”, observa a atriz.

Nelson Xavier diz que as mulheres tomaram as rédeas da nova trama. Se Chico Xavier é uma biografia, o filme recém-finalizado narra ações de solidariedade do mineiro, que possibilitou que mães desoladas se comunicassem com seus filhos. “Sabia desse filme antes de começar o Chico, que foi uma experiência abaladora, transformadora para mim. E estava com escrúpulos de fazer de novo. Não queria cair num esquema, com todo o respeito ao Chico. Na verdade, ele aparece pouco nesse filme. Pedi expressamente, foi uma condição minha, que ele aparecesse em terceiro plano, porque as protagonistas são as mulheres, e não ele. O roteiro facilitou bem”, revela.

» O festival

» Em sua primeira edição, o Festival de Cinema Transcendental propõe exibir curtas e longas-metragens com temas também espirituais. O foco é dar oportunidade a produções que não conseguem espaço no circuito comercial. Em Brasília, os filmes serão exibidos à noite (um longa a cada dia). À tarde, a mostra pretende promover workshops com diretores e produtores dos títulos selecionados. Em vez de ingresso, a entrada será a doação de 2kg de alimento não perecível. Nos próximos anos, a Estação da Luz vai levar o evento para outras capitais.

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