sábado, 12 de julho de 2008

Pincel d'Arte


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Após um bom tempo de estudos e pesquisas, amadurecendo o projeto de uma forma geral, o Grupo AVE com muito orgulho lança o Pincel D´arte.

O principal objetivo desse novo projeto é o de criar histórias em quadrinhos com cunho moral.
Visa todos os públicos, ou seja, de crianças a adultos.

Aos poucos vamos colocando aqui no blog, novas histórias de forma periódica (dez em dez dias) e novas informações desse projeto!

Caso queira outras informações, nos envie um e-mail!
Abraços fraternos e boa leitura!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

VAIDADE A SERVIÇO DO CRISTO?


Faço a você, leitor amigo, uma pergunta maldosa: Qual o primeiro atributo de um artista?
Se você respondeu talento, técnica, inspiração ou vontade, lamento dizer que está enganado.
Com o passar dos anos percebi que todos entes elementos, entre outros, são sim importantes ao artista e fazem parte fundamental de sua expressão artística, mas estão longe de figurarem como os primeiros da lista. Na verdade eles surgem e/ou se desenvolvem como conseqüência do primeiro atributo do artista: a vaidade.
Eu explico meu ponto de vista.
Todo ser humano possui um medo intrínseco à idéia de morte: o medo do esquecimento. Não temos tanto medo assim de morrer (principalmente os espíritas não o deveríamos ter), afinal sabemos que a morte do corpo físico é inevitável. Mas a idéia de sermos esquecidos é assustadora, por isso procuramos deixar marcas para a posteridade.
Trabalhar na arte é uma forma de eternizarmo-nos, deixando livros, músicas, pinturas ou lembranças. Praticamos a mais sublime forma de vaidade.
Pode parecer estranho falarmos da vaidade de um modo tão próximo do positivo, principalmente quando se trata de arte espírita, no entanto eu ouso dizer que existe mais de um tipo de vaidade.
Existe a vaidade comum, aquela que procura exarcebar sentimentos vãos e inúteis ao indivíduo, como o egoísmo, o orgulho, a preocupação excessiva com a aparência em detrimento da essência e todos os atributos sobre quais a doutrina está repleta de textos que nos fazem o chamamento para combater nossas inclinações menos nobres.
Essa é a vaidade a ser combatida.

Mas existe um tipo de vaidade que nunca foi realmente considerada. É uma vaidade que eu costumo chamar de salutar ou produtiva. Esta deveria ser a vaidade do artista espírita.
É esta vaidade salutar, equilibrada, que nos faz buscar a crescente qualidade em cada traço da pintura, naquela rima rara do poema, no acorde harmonioso da canção, no passo bem executado da dança ou na espontaneidade ensaiada de um gesto teatral.
Mas o que diferencia o vaidoso comum do vaidoso salutar? A diferença é de certa forma bem simples: este se vê como um servo da arte enquanto aquele se considera seu senhor.
Claro que a linha que separa os dois tipos é muito tênue e difícil de ser identificada; não poderia ser de outro modo em se tratando de um sentimento pessoal que só pode ser devidamente trabalhado em nível individualizado.
Lembro-me do que diz o consagrado ator, diretor e teatrólogo Constantin Stanislavski, no capítulo XIV de “A Construção da Personagem” capítulo este intitulado “Para uma ética do teatro”:

- Ele (o ator) precisa de ordem, disciplina, de um código de ética, não só para as circunstâncias gerais do seu trabalho, como também, e principalmente, para os seus objetivos artísticos e criadores.
- A condição primordial para acarretar esta disposição preliminar é seguir o princípio pelo qual tenho me norteado: amar a arte em nós e não a nós mesmos na arte.
- A carreira do ator - prosseguiu Tórtsov - é uma carreira esplêndida para aqueles que são dedicados a ela, que a compreendem e enxergam sob um prisma verdadeiro.
- E se o ator não faz isso? - perguntou um dos alunos.
- Será uma pena, pois isto o incapacitaria como ser humano. Se o teatro não puder enobrecê-lo, transformá-lo numa pessoa melhor, você deve fugir dele - replicou Tórtsov.

O princípio de “amar a arte em nós e não a nós mesmos na arte” é uma advertência dos perigos da vaidade para o ser humano. O artista, pela própria natureza e forma de seu trabalho, está mais sujeito aos perigos da vaidade que outros profissionais, pois, o simples fato de se dispor à exposição pública demonstra que possui uma certa dose de vaidade. O Artista Espírita deve direcionar sua vaidade para a qualificação de sua arte, a fim de melhor divulgar a Doutrina.
Os três últimos parágrafos da citação contêm, em conjunto, a essência daquilo que se espera de um artista, seja ele espírita ou não. Enobrecer-se através da arte, fazer dela o seu instrumento de desenvolvimento moral e espiritual. Este conceito vai encontrar eco na advertência de Emmanuel, no livro “O Consolador”:

Qualquer expressão emotiva deve ser disciplinada pela fé, porquanto a sua expansão livre, na base das incompreensões do mundo, pode fazer-se acompanhar de graves conseqüências.
Sei que é um assunto delicado de se tratar. Sei que você que me lê neste momento talvez não concorde em nada com o que digo e gostaria muito que me enviasse sua opinião a respeito.
Vamos todos transformar nossa vaidade. Coloquemos nossa arte a serviço do Cristo, lembrando que o Mestre e a Doutrina merecem o melhor, e não é a vaidade uma maneira de tentarmos melhorar sempre?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. STANISLAVSKI, Constantin. A Construção da Personagem (Building a Character). Trad. de Pontes de Paula Lima. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1970.
  2. XAVIER, Francisco Cândido (Médium) & EMMANUEL (Espírito). O Consolador. 16ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1990.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Teatro... No Brasil

Do século XVII ao início do século XIX o teatro é marcadamente colonial, fortemente influenciado pelo teatro português. Os primeiros textos, como o Auto da festa de S. Lourenço, do padre José de Anchieta, são escritos pelos jesuítas de Piratininga, numa mistura de espanhol, português e tupi-guarani. Visam a catequese e são encenados pelos indígenas. Em Minas Gerais, durante o século XVIII, atores portugueses visitam Vila Rica. A única peça local preservada é O parnaso obsequioso, de Cláudio Manuel da Costa, em homenagem ao aniversário do governador.

No Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVIII, o Teatro do padre Ventura encena as "óperas" - na verdade, comédias entremeadas de canções - de Antônio José da Silva, o Judeu (Guerras do Alecrim e Mangerona), autor nascido no Brasil mas que vive praticamente toda sua vida em Portugal. E o Teatro de Manuel Luís importa espetáculos de Portugal e da Espanha.

As representações acontecem principalmente em ocasiões festivas, quando grupos amadores montam, em praça pública, peças de tom popular, louvando as autoridades. Depois que a sala do padre Ventura é destruída por um incêndio (1769) e a de Manuel Luís é fechada, d. João VI manda construir, em 1810, o Real Teatro de São João, atual João Caetano, onde também se exibem atores portugueses. Só no romantismo surge um teatro com características nacionais.

Leopoldo Fróes cria a primeira companhia inteiramente nacional depois de voltar de Portugal, em 1908, e procura fixar uma dicção teatral brasileira, livre dos maneirismos herdados de atores portugueses. Para seu grupo contribuem Viriato Correa (Sol do sertão), Oduvaldo Vianna (A casa do tio Pedro) e Armando Gonzaga (Cala a boca, Etelvina!). Nas décadas de 30 e 40 Jaime Costa, Procópio Ferreira, Abigail Maia e Dulcina de Moraes fundam suas próprias companhias, ativas até o fim dos anos 50. A húngara Eva Todor, naturalizada brasileira, e seu marido, Luís Iglésias (Chuvas de verão), além de apresentar comédias leves, revelam textos de Bernard Shaw, Ferenc Molnár e Henryk Ibsen.

Em 1948 o industrial italiano Franco Zampari funda, em São Paulo, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), marco na história do teatro brasileiro. A posição de preponderância que ocupa deve-se à incorporação de novos talentos: Nídia Lícia, Paulo Autran, Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, e à importação dos diretores italianos Luciano Salce e Adolfo Celli, que ajudam a formar os brasileiros Flávio Rangel e Antunes Filho. Com o sucesso em São Paulo, o TBC abre uma filial no Rio. As companhias de Eva Todor, Maria Della Costa, Dulcina e Odilon, Procópio e Bibi Ferreira são contratadas para excursionar em Portugal e suas colônias. Os problemas criados por uma estrutura grande e onerosa, a morte de Franco Zampari e cisões entre os membros do elenco fazem com que, ao longo da década de 50, o TBC se desmembre nos grupos de Tônia Carreiro, Paulo Autran e Margarida Rey, dirigido por Adolfo Celli; de Cacilda, o ma rido Walmor Chagas e a irmã Cleyde Yáconis, dirigido por Ziembinski; o Teatro dos Sete, de Fernanda Montenegro, Italo Rossi e Sérgio Brito; e o de Sérgio Cardoso e Nídia Lícia.

Na década de 70 a censura imposta pelo governo militar chega ao auge. Os autores são obrigados a encontrar uma linguagem que drible os censores e seja acessível ao espectador. Nessa fase, surge toda uma geração de jovens dramaturgos cuja obra vai consolidar-se ao longo das décadas de 70 e 80: Mário Prata (Bésame mucho), Fauzi Arap (O amor do não), Antônio Bivar (Cordélia Brasil), Leilah Assunção (Fala baixo senão eu grito), Consuelo de Castro (Caminho de volta), Isabel Câmara (As moças), José Vicente (O assalto), Carlos Queiroz Telles (Frei Caneca), Roberto Athayde (Apareceu a margarida), Maria Adelaide Amaral (De braços abertos), João Ribeiro Chaves Neto (Patética), Flávio Márcio (Réveillon), Naum Alves de Souza (No Natal a gente vem te buscar).Marcam época também as montagens feitas, em São Paulo, pelo argentino Victor García: Cemitério de automóveis, de Fernando Arrabal, e O balcão, de Jean Genet - nesta última, ele chega a demolir internamente o Teatro Ruth Escobar para construir o cenário, uma imensa espiral metálica ao longo da qual se sentam os espectadores.A partir do final da década de 70, aparecem grupos de criação coletiva, irreverentemente inovadores. Trate-me leão, do Asdrúbal Trouxe o Trombone, aborda o inconformismo e a falta de perspectivas da adolescência e revela a atriz Regina Casé. Salada paulista, do Pod Minoga também calca seu humor nos problemas do cotidiano.

“Na carreira do divino” de Alberto Soffredini baseia-se numa pesquisa do grupo Pessoal do Vítor sobre a desestruturação do mundo caipira. Luiz Alberto de Abreu (Bella Ciao), Flávio de Souza (Fica comigo esta noite) e Alcides Nogueira (Lua de Cetim e Opera Joyce) destacam-se entre os autores. “O Ornitorrinco” de Cacá Rosset e Luís Roberto Galizia, inaugura, com “Os parias” de Strindberg, e um recital da s canções de Kurt Weil e Brecht, uma fórmula underground original. Os espetáculos posteriores de Rosset, “O Ubu” de Alfred Jarry, o polêmico “Teledeum” do catalão Albert Boadella, “Sonhos de uma noite de verão” e “Comédia dos erros” de Shakespeare, são comercialmente bem-sucedidos. Antunes Filho começa a trabalhar com teatro dirigindo um grupo de estudantes. Na década de 50 trabalha como assistente de direção no TBC. No final dos anos 70 rompe com o teatro mais comercial em sua montagem de “Macunaíma”, de Mário de Andrade, um dos marcos do teatro brasileiro. Com Nelson Rodrigues, o eterno retorno, montagem que engloba as peças “Toda nudez será castigada”, “Os sete gatinhos”, “Beijo no asfalto” e “Álbum de família” traz à tona a discussão sobre a obra de Nelson Rodrigues.